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quinta-feira, 30 de junho de 2016
"Gorduras" - poema
Gorduras,
Gordurinhas!
Estabelecem-se
Nas barriguinhas
Pensando que são tuas,
Sabendo que são minhas
Tu a veres se as tens,
Eu a ver se tinhas...
Gordurinhas!
Estabelecem-se
Nas barriguinhas
Pensando que são tuas,
Sabendo que são minhas
Tu a veres se as tens,
Eu a ver se tinhas...
quarta-feira, 29 de junho de 2016
"A minha colecção de berlindes" - conto
Certa vez, fui ao Centro Cultural
perguntar se estavam interessados em fazer uma exposição com toda a
minha colecção de berlindes.
Disseram prontamente que não, que era uma coisa que não despertaria interesse algum da parte do público. Estúpidos! Eu que arduamente e ao longo de vinte e tal anos, tinha reunido 17.638 berlindes! Tinha-os de todas as cores e variados tamanhos, de todos os cantos do mundo!
Disseram que não. Preferiam mostrar ás pessoas as criações daquela pseudo-artista gorda e parva, afilhada das elites. E como eram bonitos os meus berlindes...Fiquei piúrso, , com vontade de esganar todos aqueles intelectualóides de merda (que deus me perdoe).
Regressei a casa com um tal desejo de vingança que tive de beber uma bagaceira velha de penalty, mas, com os nervos, falhei a grande penalidade e entornei por mim abaixo o tão precioso liquído.
Três dias depois, estava á porta do Centro Cultural a fazer uma espera aquelas bestas. Esperei ca tempos, mas não fora em vão.Começaram a saír e a dirigirem-se para os seus carrinhos de alta cilindrada. Segui sorrateiramente a besta-mor, aquele que tão friamente me havia dito o NÃO.
Quando parou junto ao carro, puxei da minha fisga Xpto que tinha adquirido para o efeito, estiquei-a ao máximo e, como projéctil, pus-lhe um bifa verde-jade que tinha comprado a um xamã sul-africano em 1992...e pimba!!! Mesmo nos cornos! Caíu inanimado. Recolhi rapidamente o berlinde, que tinha ido parar debaixo de um carro mais á frente. Verifiquei que não havia ninguém a presenciar, tirei o passa-montanhas da carola e afastei-me calmamente do local. Estava satisfeito com aquela refeição fria gourmet que havia servido ao meu desejo de vingança. No dia seguinte vi nos noticiários que o cabrão havia falecido e a sua morte era agora um mistério para a bófia.
Disseram prontamente que não, que era uma coisa que não despertaria interesse algum da parte do público. Estúpidos! Eu que arduamente e ao longo de vinte e tal anos, tinha reunido 17.638 berlindes! Tinha-os de todas as cores e variados tamanhos, de todos os cantos do mundo!
Disseram que não. Preferiam mostrar ás pessoas as criações daquela pseudo-artista gorda e parva, afilhada das elites. E como eram bonitos os meus berlindes...Fiquei piúrso, , com vontade de esganar todos aqueles intelectualóides de merda (que deus me perdoe).
Regressei a casa com um tal desejo de vingança que tive de beber uma bagaceira velha de penalty, mas, com os nervos, falhei a grande penalidade e entornei por mim abaixo o tão precioso liquído.
Três dias depois, estava á porta do Centro Cultural a fazer uma espera aquelas bestas. Esperei ca tempos, mas não fora em vão.Começaram a saír e a dirigirem-se para os seus carrinhos de alta cilindrada. Segui sorrateiramente a besta-mor, aquele que tão friamente me havia dito o NÃO.
Quando parou junto ao carro, puxei da minha fisga Xpto que tinha adquirido para o efeito, estiquei-a ao máximo e, como projéctil, pus-lhe um bifa verde-jade que tinha comprado a um xamã sul-africano em 1992...e pimba!!! Mesmo nos cornos! Caíu inanimado. Recolhi rapidamente o berlinde, que tinha ido parar debaixo de um carro mais á frente. Verifiquei que não havia ninguém a presenciar, tirei o passa-montanhas da carola e afastei-me calmamente do local. Estava satisfeito com aquela refeição fria gourmet que havia servido ao meu desejo de vingança. No dia seguinte vi nos noticiários que o cabrão havia falecido e a sua morte era agora um mistério para a bófia.
Hoje
em dia sou um artista plástico de sucesso. Tirei um curso de belas
artes e vi recentemente
uma das minhas obras expostas naquele malogrado
Centro Cultural: um Audi A6 revestido com centenas de brilhantes
berlindes que usei da minha própria colecção.
A exposição foi um sucesso.
Fmi
terça-feira, 28 de junho de 2016
"Arménio da Giribita" - conto
Tava tudo em
alvoroço nos Casais da Giribita. Arménio tinha lançado a polémica: ia
atravessar a nado o Ribeiro de Alpalhoa, conhecido pelos fortes rápidos e
águas gélidas.
- Vou mergulhar junto ao local onde encalhou o
iate do Cristiano Ronaldo. Vai ser uma grande festa, com a banda de
Bucelas a tocar a 5ª Sinfonia de Beethoven e tudo! - anunciou em praça pública.A sua namorada (já desde os tempos da escola), Maria Sarrafo, apoiava-o sempre nestas iniciativas, mesmo sabendo que ele era maluco. Esta vez não seria excepção. Como queria executar o feito durante o mẽs de Agosto (estávamos em Junho), altura em que a sua terrinha estaria pejada de imigrantes que ali estariam de férias, foi a Lisboa comprar uns calções especiais, feitos duma malha sintéctica que imitava a pele de tubarão, e também para se aconselhar junto de alguns atletas profissionais do Algés & Dafundo.
De regresso aos Casais da Giribita, o autocarro no qual viajava teve um aparatoso acidente: chocou a mais de 100 km/h com a carrinha do canil municipal, carregada com canitos vadios que tinham sido apanhados nas redondezas durante os últimos dias. Não houve mortes, apenas alguns feridos ligeiros, tendo os pobres cães levado a melhor, pois inesperada embora violentamente, tinham reconquistado a sua tão preciosa liberdade.
Ora no meio da atordoada matilha que se punha em fuga, quem é que o Arménio viu? O Putchi! O podengo que houvera desaparecido de sua casa há muito tempo, que era o seu mais querido animal de estimação (tinha vários, incluindo uma cabra albanesa das montanhas) e que pensava ter perdido para sempre.
Este acaso da "Estranha Providência" alterou todo o panorama psicológico-mental do nosso amigo. Foi imediatamente falar com o presidente da junta de freguesia a dizer que ia desistir da travessia do ribeiro, pois a sua vida iniciava agora um novo ciclo. Pediu imensas desculpas, e assim deu por terminada a sua vontade de realizar um dos maiores feitos que aquela terra já houvera aspirado.
Tinha agora um novo e único objectivo em mente:
Iria a Fátima, não a pé, mas de quatro, como o seu fiel amigo que o acompanharia..
Fmi
sexta-feira, 10 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
"Rat-a-fink Supersónico" - Bonecos pó puto!
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sábado, 4 de junho de 2016
"Sapo dos Montes" - Brain Estorving 1
O sapo dos montes era um pequeno ser mágico que vivia perdido na planície do Além. Além-mar, Além-terra, tanto faz, desde que se senti-se bem. E sentia-se.Não gostava de jantar e tinha a cabeça redondinha, como uma pinha de amaranho. Arrumava-se ao cutelo, num cantinho próprio que os deuses do limbo lhe construíram na madrugada da Existência. Nã era mundano e sentia-se pleno, mesmo quando era cirurgicamente enxovalhado. Sempre a seu lado, numa mesa de operações, um divertido coração "coquette" ria-se desenvergonhadamente. Ás vezes pedia-lhe incenso, mas este quase sempre lhe dava mirra, e quando isso acontecia, era uma festa, uma valente farra que se estendia até ao Pantanal. Aí, uma porca torcia o rabo de um babuíno, e através dos lancinantes gritos de dor e com a ajuda de um telefone analógico, o sapo dos montes conseguia facilmente abrir as portas da percepção, havendo apenas como testemunha, um guarda-livros que trabalhava no Palácio Máximo das Virtudes, em Sta.Iria da Azóia. Para fechá-las era o cabo dos trabalhos...
Fmi
Fmi
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sexta-feira, 3 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
terça-feira, 31 de maio de 2016
"Resistência Saloia Vialonguense"
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de maio de 2016
"O meu tio de Cantanhede" - conto
Ontem á noite estive a falar ao telefone com a minha tia Virgínia. Já não os via, nem tinha notícias deste ramo da minha família, á bastante tempo. Contou-me que o meu tio Armindo tinha-se descarrilado na vida...Fiquei estarrecido, pois o meu tio era para mim um exemplo de pessoa. Pedi-lhe que me contasse o que acontecera, e ela assim o fez:
Aqui há uns três anos e tal, o meu tio fez algo que lhe mudou radicalmente a vida. Ele toca acordeão desde tenra idade, arte que lhe fora ensinada pelo pai.
Ora há três anos atrás, o meu tio adaptou para esse instrumento, a banda-sonora do filme "2001 - Odisseia no Espaço". Fê-lo por amor á música, sem qualquer intuito comercial. No entanto, Carlitos, o seu filho mais novo, gravou-o a tocar a dita peça musical e editou a gravação na internet.
Certo dia, a minha tia, que de música não percebia nada, recebeu uma chamada dos estados unidos, de Hollywood (por acaso também não percebia nada de filmes, embora fosse grande fã do Ingmar Bergman). Alguém associado a grande estúdio de produção queria falar com o meu tio, pois tinha ficado passado com o que ouvira na net, e queria contratar o meu tio para fazer a banda-sonora de um filme. Mandou logo chamar o Armindo á tasca, e assim se viu o meu tio envolvido na produção de uma longa-metragem de grande orçamento.
Lá em casa ficaram todos maravilhados! O meu tio estava prestes a ficar famoso e, ainda por cima, rico. Minha tia até ficou com altas ideias de fazer trabalhos de costura para as grandes estrelas, como a Michelle Pfeiffer e a Angelina Jolie!
Trocaram-se uns e-mails e tal, e lá meu tio começou a compor uns trechos de acordeonadas valentes. Passou manhãs e tardes inteiras na sua eira a compor.
Veio o dia em que teve que ir á americolândia para se reunir com a equipe de produção. Esteve ausente durante nove semanas e meia e quando regressou, não era o mesmo homem...tinham cancelado a produção do maldito filme! (o filme iria-se chamar "American Troll 2" e nele contracenariam John Torturro, Andy Garcia e Anne Rose, que por sinal, tinha o mesmo nome que a primeira grande paixão do meu tio, Ana Rosa, e ele envolveu-se com ela desde o primeiro dia que chegou aos states.)
Regressou a Cantanhede derrotado, mas a minha tia perdoou-lhe a traição e lá consegui consolá-lo. A carreira musical de sucesso tinha-se-lhe escapado pelos dedos das mãos.
Passaram-se um par de meses, quando apareceu-lhes um pintas á porta, a dizer que era produtor musical e que queria falar com o Sr.Armindo. Este homem que agora se apresentava aos meus tios, trabalhava para a editora discográfica do Quim Barreiros, e contou que o grande Quim ouvira o registo musical do meu tio na net, e mandara-o ali para lhe oferecer um lugar na sua banda como segundo acordeonista, para gravar um álbum e fazer uma tournée por terras lusas e França, Luxemburgo e Suíça. Armindo aceitou de imediato, e foi aí que começaram os problemas...
Mal começara a digressão, o meu tio, não habituado a tais andamentos, estragou-se completamente, bebendo a cada concerto, mais e mais vinho do que o que já estava habituado. Começou a bater nas bailarinas, a destruir o equipamento durante as apresentações ao vivo, e até chegou a andar ao fight com o próprio Quim Barreiros. Colapsou no penúltimo concerto da digressão, no Olympia de Paris, e veio recambiado para Cantanhede. A minha tia nada consegue fazer dele agora. Pegou fogo ao acordeão na eira, num acesso de fúria alcoólica. Por estes dias bebe, bebe cada vez mais.
Ora eu que tinha-lhes telefonado porque andava a pensar em pedir ao meu tio para fazer uns arranjos para a minha nova banda de punk-rock rural, "Os Espinafres", fiquei triste com toda esta situação. Um dia destes, visitarei os meus tios, mas já não hei-de levar uma garrafinha de tinto da zona de Palmela (por acaso estão em promoção no Pingo Amargo) que ele tanto gostava...
Fmi
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quarta-feira, 25 de maio de 2016
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